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	<title>brasilia &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/brasilia/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "brasilia"</description>
	<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 09:28:05 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[ESTA É DENÚNCIA DO SITE: "FLORES ROUBADAS do JARDIM ALHEIO" - por ivo barroso]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3117</link>
<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 01:19:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[
“As Flores do Mal” – Charles Baudelaire – texto integral – Tr. Pietro Nassetti - Editora ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-indent:30pt;line-height:130%;text-align:center;margin:3pt 4.5pt;" align="center"><span style="font-size:10pt;line-height:130%;font-family:&#34;"><em></em></span></p>
<p style="text-indent:30pt;line-height:130%;text-align:center;margin:3pt 4.5pt;" align="center"><span style="font-size:10pt;line-height:130%;font-family:&#34;"><em>“As Flores do Mal” – Charles Baudelaire – texto integral – Tr. Pietro Nassetti - Editora Martin Claret (São Paulo, 2001) – 192 págs. R$19,00<br />
</em><br />
 </span>
</p>
<p style="text-indent:30pt;line-height:130%;margin:3pt 4.5pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:130%;font-family:&#34;">Já tivemos aqui a oportunidade de mostrar como algumas obras literárias estão sendo criminosamente “apropriadas” por editores inescrupulosos e reeditadas sob o nome de falsos tradutores. No caso anterior, vimos como a tradução genial do “Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand, devida ao falecido professor pernambucano Carlos Porto Carreiro, foi simplesmente “clonada” e atribuída a um desconhecido Sr. Fábio M. Alberti, que já devia ficar contente se seu nome aparecesse como autor das notas de pé de página que figuram na edição. Nelas há esclarecimentos sobre personagens e fatos um tanto ou quanto incomuns, pelo menos para a classe de leitores desses livros ditos “populares”, vendidos em bancas de jornal. Apressamo-nos em esclarecer que nada temos conta esse tipo de venda e achamos mesmo que se trata de um serviço prestado ao leitor médio, que pode assim adquirir livros de grandes autores a preços inegavelmente convidativos. O que não nos parece ético é o escamoteio e a usurpação do nome dos tradutores originais desses livros, seja pela prática da sua atribuição a outrem, seja pelo artifício vergonhoso do plágio disfarçado. </span></p>
<p style="text-indent:30pt;line-height:130%;margin:3pt 4.5pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:130%;font-family:&#34;">Nessa última categoria podemos incluir, consistentemente, a edição de “As Flores do Mal”, o clássico livro de poemas de Charles Baudelaire, lançada “no verão de 2001” pela Martin Claret, de S. Paulo, em tradução ali atribuída a Pietro Nassetti, que, não se tratando de um pseudônimo de Jamil Almansur Haddad, responde certamente pelo nome de seu plagiário indecoroso, tal a maneira inequívoca com que se apropria da obra alheia.</span></p>
<p style="text-indent:30pt;line-height:130%;margin:3pt 4.5pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:130%;font-family:&#34;">É sabido que temos no Brasil pelo menos duas edições integrais de “As Flores do Mal”. A mais conhecida e, a nosso ver, a mais bem realizada, a de Ivan Junqueira, foi editada pela Nova Fronteira, sendo de 1985 a última reimpressão, com o texto original de face à tradução. Foi essa a escolhida para figurar no volume “Charles Baudelaire – Poesia e Prosa”, que organizamos para a Editora Nova Aguilar e que foi editado em 1995, em papel bíblia, reunindo em português praticamente toda a obra do Poeta. A outra, mais antiga, de 1958, editada pela Difusão Européia do Livro na coleção Clássicos Garnier, é de Jamil Almansur Haddad, poeta paulista, autor de “A lua do remorso” (1951), que além de Baudelaire traduziu também “As Líricas”, de Safo, “O Cântico dos cânticos”, de Salomão, o “Rubaiyat”, de Omar Khayyam, o “Cancioneiro” de Petrarca, o “Decamerão” de Boccaccio e as “Odes” de Anacreonte. O leitor, ainda que não versado no assunto, pode bem imaginar o que representa de tempo e esforço a tarefa de traduzir poesia, principalmente no caso de um autor como Haddad que respeita a métrica e a rima existentes no original. Mas hoje parece estar se generalizando a prática certamente recriminável de se tomar um texto preexistente e maquiá-lo, mudando aqui uma palavra mais difícil, ali uma construção mais arrevesada, e, passando por cima dos ditames métricos e rímicos, apresentá-lo ao leitor numa “nova” edição popular, supostamente feita por outro tradutor. </span></p>
<p style="text-indent:30pt;line-height:130%;margin:3pt 4.5pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:130%;font-family:&#34;">No presente caso a contrafação é tão explícita que chega a ser vergonhosa. Tomemos por exemplo o poema “Hino à Beleza”, dos mais característicos do estilo baudelairiano, com seus termos específicos e construções originais. As três primeiras quadras são iguais, ipsis litteris, coincidência que seria impossível de obter-se mesmo no caso de uma prova de tradução à qual se habilitassem centenas de candidatos. “Infernal et divin” é traduzido por ambos como “celestial e daninho”; “le couchant et l´aurore” por “matutina e noturna” e o verso “Qui font le héros lâche et l´enfant courageux” é impressionantemente resolvido da mesma forma: “Se à criança dão valor, tornam o herói covarde”. E naquele que encerra o terceiro quarteto: “Et tu gouvernes tout et ne réponds de rien” – o copiador chegou a incidir no mesmo erro de interpretação do seu modelo, traduzindo “réponds” por “respondes”, quando a construção francesa “réponds de rien” equivale a “submeter-se a nada”. “Bénissons ce flambeau!” é “Bendito lampadário” em ambos e “tombeau” (túmulo) é transformado também por ambos em “sudário”. Há momentos, no entanto, em que o copiador servil resolve “melhorar” (como talvez pense) o texto saqueado. Em geral isso ocorre diante de palavras que ele julga “difíceis” ou pouco atuais. Assim, onde Jamil escreveu “O amoroso anelante a pender sobre a bela”, o tradutor-xerox reescreve: “O namorado ofegante a pender sobre a bela”, não se importando com isso de sacrificar a métrica do verso. Neste mesmo poema há inúmeros exemplos dessa espécie: “Pisando mortos vais, com ar de desacato” (Jamil) e “Caminhas sobre os mortos, com ar de desacato” ( pseudo tradutor). O “papel carbono” parece ter achado que o “vão” (adjetivo) de “Sobre teu ventre vão dança amorosamente” poderia ser entendido pelos seus leitores como verbo e “conserta” para “Sobre teu ventre orgulhoso dança amorosamente”, conseguindo o fenômeno de um alexandrino de 14 versos. Outro: “Beleza! monstro ingênuo e de feição adunca!” lhe soa muito precioso e ele emenda para: “Beleza! monstro ingênuo, assustador e horrendo!” Mas pasmem que temos no início da quinta quadra o que se poderia chamar de dupla coincidência: No verso “Uma efêmera vai ao teu encontro, ó vela”, tanto na tradução de Jamil quanto na de seu “vampiro” Pietro Nassetti há uma nota de pé de página dizendo exatamente o mesmo: “Efêmera: substantivo comum, espécie de inseto”, que, se não fosse cópia servil seria um caso de duplicidade até na indigência definidora. Estender a amostragem seria recair ad infinitum na certeza que desde já se patenteia de que os poemas apresentados nesta edição de “As Flores do mal” foram subtraídos do berço alheio e criados por pais adotivos em proveito próprio.</span></p>
<p style="text-indent:30pt;line-height:130%;margin:3pt 4.5pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:130%;font-family:&#34;">Essa prática inescrupulosa da apropriação de traduções alheias – pela cópia deslavada ou enganosa maquiagem – parece estar se ampliando junto a editores de livros em série ou coleções ditas populares. Há muitos títulos de obras clássicas que circulam por aí que, se examinados com cuidado, revelariam – como um triste palimpsesto – o nome apagado e explorado do tradutor original. </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[UMA PENA - poema de jorge barbosa filho ]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3115</link>
<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 01:11:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3115</guid>
<description><![CDATA[ 
 
uma pena, deve ser
um olhar de índio
em teu coração aflito. 
deve ser.
 
seja a canção
u]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">uma pena, deve ser</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">um olhar de índio</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">em teu coração aflito. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">deve ser.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">seja a canção</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">uma pena,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">deve ser.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">eu pago a pena</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">qualquer preço.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">deve ser.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">fico parado</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">no incêndio </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">e as penas voando.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">voando.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">tento entender</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">porque queimar plumagens</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">quando seríamos</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">o pássaro</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">e voarmos</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">no justo instante</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">que você me dissesse</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">sim.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">ah! tô muito a fim</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">pra qualquer bobagem </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">que te falasse </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">em pleno vôo,  </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">fingindo minha própria rapina.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">desisti, meu amor </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">do índio que havia em mim   </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">e faleço em pleno sonho.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"><span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">fiquei só</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">do tamanho de um dó</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">e não percebi.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">que me quis</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">uma música.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">uma nota, sol.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">um beijo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">a tarde ardia</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">num lusco-fusco desesperado. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">mas mesmo assim </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">faço dos meus dias </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">uma lágrima escorrida, </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">um desenho, em si,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">um oceano,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">na qual te via </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">o meu rosto insano.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">ah! já deixei de ser</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">tudo aquilo que queria:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">tudo aquilo que sumia</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">pelas minhas mãos</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">de pianista. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">amor, não fuja de mim,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">tenho os vôos nos olhos</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">e as chamas, e as chamas</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">de quem te chama.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">penas</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">de quem te ama</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:14.4pt;margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#333333;font-family:&#34;">te ama. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"> </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ACRÓBATA DA DOR poema de cruz e souza]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3112</link>
<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 01:04:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3112</guid>
<description><![CDATA[Gargalha, ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absur]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Gargalha, ri, num riso de tormenta,</span><span style="font-family:&#34;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Como um palhaço, que desengonçado,</span><span style="font-family:&#34;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado</span><span style="font-family:&#34;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">De uma ironia e de uma dor violenta.</span><span style="font-family:&#34;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><br />
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,<br />
Agita os guizos, e convulsionado<br />
Salta, gavroche, salta clown, varado<br />
Pelo estertor dessa agonia lenta…</p>
<p>Pedem-te bis e um bis não se despreza!<br />
Vamos! retesa os músculos, retesa<br />
Nessas macabras piruetas d'aço…</p>
<p>E embora caias sobre o chão, fremente,<br />
Afogado em teu sangue estuoso e quente<br />
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.</span>
</p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">------------</span></p>
<p> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:&#34;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/cruz_e_sousa1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3113" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/cruz_e_sousa1.jpg" alt="" width="152" height="168" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:&#34;"><span style="font-size:x-small;">o poeta.</span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[SEQUENCIAL PARA UMA CONTEMPLAÇÃO ABSTRATA  poema de altair de oliveira]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3108</link>
<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 00:54:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3108</guid>
<description><![CDATA[ 
Pressinto a festa que infesta os olhos
que bebem saias que sugerem vôos
de flores tintas que ani]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<h3 class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="color:#000000;">Pressinto a festa que infesta os olhos</span></span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="color:#000000;">que bebem saias que sugerem vôos</span></span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="color:#000000;">de flores tintas que animam cores</span></span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="color:#000000;">de aves raras com motivos vivos</span></span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="color:#000000;">que giram loucos nesta dança rouca</span></span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="color:#000000;">e tomam a tarde feito revoada</span></span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="color:#000000;">inesperada de alegrados risos</span></span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin:0 -53.1pt 0 0;"><span style="font-size:10pt;"><span style="color:#000000;">de nove noivas soltas na calçada.</span></span></h3>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;color:#000000;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Мэр Костромы подала в отставку. Эксперты прогнозируют борьбу за региональный центр - por Ирина Переверзева ]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3101</link>
<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 23:47:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[ 




время публикации: 22 июля 2008 г., 17:24 
последнее обновл]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="display:none;font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<table class="MsoNormalTable" style="width:100%;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td style="background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:0;" valign="top">
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="explaindate"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">время публикации: 22 июля 2008 г., 17:24 </span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
<span class="explaindate">последнее обновление: 22 июля 2008 г., 18:32 </span></span></p>
</td>
<td style="background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:0;" valign="top">
<div>
<table class="MsoNormalTable" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td style="width:15pt;background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:1.5pt;" width="20" valign="top">
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><a href="http://www.newsru.com/russia/22jul2008/mer_otstavka_blog.html" target="_blank"></a></span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p class="MsoNormal" style="text-align:right;margin:0;" align="right"> </p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table class="MsoNormalTable" style="width:127.5pt;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="170" align="right">
<tbody>
<tr>
<td style="width:7.5pt;background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:0;" width="10">
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
</td>
<td style="width:120pt;background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:0;" width="160" valign="top">
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Мэр Костромы Ирина Переверзева завершит работу на посту главы города 29 июля, сообщили <a href="http://www.interfax.ru/" target="_blank">"Интерфаксу"</a> во вторник в пресс-службе горадминистрации. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">"Ирина Переверзева подписала постановление о сложении полномочий главы города Костромы 29 июля текущего года в связи с отставкой по собственному желанию", - рассказал собеседник агентства. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">В пресс-службе добавили, что постановление об отставке до конца дня будет направлено в Костромскую гордуму. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Заявление о готовности досрочно сложить с себя полномочия главы Костромы Ирина Переверзева сделала 27 июня на заседании городской Думы сразу после отчета о работе в 2007 году, пишет <a href="http://www.regions.ru/news/2151681/" target="_blank">Regions.ru</a>. В коротком докладе, она, в частности, призналась, что многие из <a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/russian-1081064_20080722174749.gif"><img class="size-medium wp-image-3106 alignleft" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/russian-1081064_20080722174749.gif?w=158" alt="" width="158" height="119" /></a>предвыборных обещаний остались не выполнены. "Продолжать работу на посту главы города с учетом требований настоящего момента я не могу", - сказала Переверзева, предоставив продолжать заседание своему заместителю Александру Кудрявцеву. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Как сообщается на сайте <a href="http://www.ancentr.ru/data/events/event1856.html" target="_blank">Центра политической конъюнктуры России</a>, в смене руководства мэрии Костромы было заинтересовано большинство влиятельных игроков, так что за контроль над региональным центром развернется нешуточная борьба. По мнению эксперта Центра Оксаны Гончаренко, победа (или избрание лояльного кандидата) на мэрских выборах может стать рычагом влияния на решения областной администрации. В числе "заинтересованных лиц" от "Единой России" - депутат Госдумы прошлого созыва и крупный региональный бизнесмен Евгений Трепов и депутат областной думы Алексей Ситников. Последний проиграл Переверзевой мэрские выборы-2003 во втором туре и может быть особенно заинтересован в том, чтобы взять "реванш". </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Возможно и выдвижение на пост мэра "губернаторской" кандидатуры, которая получит преимущественные шансы на победу за счет использования административного ресурса региональной власти. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Гончаренко также не исключает и возможность изменения процедуры формирования мэрии Костромы: избрание мэра из числа депутатов гордумы или же привлечение к управлению сити-менеджера, работающего по контракту. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">На введении должности сити-менеджера, в частности, настаивал костромской губернатор Игорь Слюняев. Он <a href="http://www.newsru.com/russia/25oct2007/slunyaev.html">занял свой пост</a> в октябре 2007 года, а к апрелю 2008-го стало ясно, что губернатор и мэр вместе работать не смогут, пишет журнал <a href="http://www.expert.ru/articles/2008/07/18/pereverzeva/" target="_blank">"Эксперт"</a>. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Еще в конце июня губернатор Костромской области Игорь Слюняев заявил, что градоначальница должна уйти в отставку. Губернатор нередко публично критиковал состояние городского хозяйства и состояние костромских дорог. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Согласно нынешнему уставу Костромы, в случае досрочного прекращения полномочий мэра его полномочия до вступления в должность вновь избранного главы города временно исполняет один из заместителей. Кандидатуру должна определить дума. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Выборы мэра проводятся по мажоритарной системе абсолютного большинства по единому избирательному округу, составляющему всю территорию Костромы. В случае, если баллотируется три и более кандидата и ни один из них не получает более 50% голосов избирателей, проводится повторное голосование по двум кандидатам, получившим наибольшее число голосов. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Тогда результаты определяются на основе относительного большинства. Решение о назначении досрочных выборов также принимает дума города. </span></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Досье</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ирина Переверзева возглавила Кострому в декабре 2003 года и стала единственным в России женщиной-мэром областного центра, сообщает "Эксперт". </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/balalaya_russia_v_full.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3102" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/balalaya_russia_v_full.jpg" alt="" width="500" height="350" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> sem crédito.  ilustração do site.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[80 dias sem chover]]></title>
<link>http://taisando.wordpress.com/?p=60</link>
<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 19:45:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>taisando</dc:creator>
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<description><![CDATA[


Brasília - DF

definir como padrão





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Tempo no Momen]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td class="headers" bgcolor="#b5d4de">Brasília - DF</td>
<td bgcolor="#b5d4de">
<div class="style15"><a>definir como padrão</a></div>
</td>
</tr>
<tr>
<td class="atualizacao">
<div style="padding-top:2px;float:left;"><img src="http://www.climatempo.com.br/images/impre.gif" alt="" width="19" height="20" align="left" /></p>
<div style="padding-top:3px;"><a href="http://www.climatempo.com.br/imprimir_previsao.php?CODCIDADE=61" target="_blank">Imprimir Previsão </a></div>
</div>
</td>
</tr>
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</table>
<p><!-- Temperatura no momento --></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td width="45%">
<table style="height:56px;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="1" width="485" bgcolor="#cccccc">
<tbody>
<tr>
<td>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="2" width="100%" bgcolor="#ffffff">
<tbody>
<tr>
<td class="sub_header" colspan="7" bgcolor="#e9e9e9">
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td class="sub_header"><span>Tempo no Momento</span></td>
<td>
<div><span class="atualizacao"><!--Atualizado &#224;s 15:00h--></span></div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
<tr>
<td>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td style="font-size:10px;font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;" width="182">Temperatura: <span class="mtn">26ºC</span></td>
<td style="font-size:10px;font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;" width="172">Condição: <span class="mtn">Alguma nebulosidade</span></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-size:10px;font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Pressão <span class="mtn">1022hPa</span></td>
<td style="font-size:10px;font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"><span style="color:#ff0000;">Umidade: <span class="mtn">26%</span></span></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-size:10px;font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Direção  do Vento: <span class="mtn">ENE</span></td>
<td style="font-size:10px;font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;">Visibilidade: <span class="mtn">OK</span></td>
</tr>
<tr>
<td style="font-size:10px;font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></td>
<td style="font-size:10px;font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><em>Fonte: </em><a href="http://www.climatempo.com.br/">Climatempo.com</a></p>
<p>80 dias sem chover na capital federal. Aproximadamente 11 semanas e meia sem um pinguinho de chuva sequer, pessoas.  Agora a umidade à tarde oscila entre 40 e 20%, mas isso porque ainda estamos em julho. Quando agosto chegar, bateremos a marca de 10% de umidade no ar, e será como estar no Deserto do Atacama.</p>
<p>Quando eu cheguei em Brasília, pra morar, já conhecia a seca daqui. Na verdade, eu tinha vindo visitar o Distrito federal no ano anterior e em pleno mês de agosto. Foi terrível, por esse lado. Eu ainda não tinha me acostumado com a idéia de que eu tinha que me entupir de hidratante pra viver, afinal de contas, eu tenho a pele seca. Mas em Salvador, cidade litorânea e de 90%, eu só precisava passar hidratante nos joelhos e nos cotovelos. Só depois de ficar com as pernas machucadas pelo atrito com a calça, os lábios rachados e os cotovelos feridos, eu entendi a mensagem. E não esqueci mais. E como eu vim estudar em abril, ainda época de chuva, acompanhei a transição do molhado para o seco e não foi assim tão traumático.</p>
<p>No entanto, ainda assim, é meio estranho quando a seca chega a cidade. Brasília, conhecida por seus gramados e árvores frondosas entre os prédios de concreto de Niemeyer, fica amarela. A não ser por alguns canteiros, onde o governo gasta água pra mantê-los verdinhos - e o porteiro do meu prédio também, sacaneando a minha conta de água. De resto, tudo fica amarelo e empoeirado, com o barro vermelho que me faz lembrar do sertão da Bahia. Muitas árvores, no fim do inverno, estão acizentadas ou já sem folhas. Até mesmo os Ipês, de todas as cores, começam a sumir. De azul só o céu, que falta rachar de tão azulado. Você olha pra cima e o Sol reina absoluto, sem qualquer nuvenzinha pra atrapalhar seu brilho. Ah, e o Lago Paranoá, artificial, que ninguém me convence que é azul. Tá mais pra amarronzado, coitado... Mas se não fosse por ele, vida humana nessas paragens não era possível.  A única fonte de umidade da capital em tempos secos.</p>
<p>A paisagem muda, e os brasilienses e candangos mudam também. Todo mundo fica com um expressão meio enfezada, que só a secura pode dar. Fungando e com uma garrafinha de água do lado. E tome-lhe água. Nas conversas de elevador, só se fala da seca <em>que esse ano tá braba</em>, <em>ontem o jornal disse que só vai piorar, acredita</em>? As mocinhas tem sempre um hidratante nas mãos e até os mais machões tem que se render. E todo mundo apela pra sua entidade metafísica, pra que ela acelere a chegada da chuva. Eu mesma tenho uma dancinha própria, que funcionou no ano passado. Mas ela só vem em outubro ou novembro, quando começa a outra estação de Brasília, a chuvosa, que vai até maio ou junho. Logo nos primeiros dias, as pessoas irão começar a reclamar que chove demais e que era melhor quando estava seco. Não adianta. Ninguém nunca vai estar satisfeito.</p>
<p>------------</p>
<p>Enquanto a chuva não chega, o Ser Taisante está no estágio, cheia de hidratante e de água. Mas ainda com dificuldades pra respirar e me perguntando <em>colé de mêrma </em>de Juscelino Kubstchek. Todo mundo fala como o cara era sensacional, sabichão, visionário, mas eu tenho lá minhas dúvidas, viu. Brasília não foi uma cidade feita para humanos normais. Podia muito bem ter escolhido um lugarzinho menos árido, velho... ou pelo menos de chuva mais constante.</p>
<p>----------</p>
<p>Agora eu respondo os comentários na página dos comentários, e tudo graças à <a href="http://desiluminancia.wordpress.com" target="_self">Cláu</a>!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Clô e Frank]]></title>
<link>http://novacharges.wordpress.com/?p=159</link>
<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 16:09:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>novaes</dc:creator>
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<description><![CDATA[
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://novacharges.files.wordpress.com/2008/07/clo.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-158" src="http://novacharges.wordpress.com/files/2008/07/clo.jpg?w=300" alt="" width="300" height="206" /></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[SEGUNDO MANUSCRITO SOBRE F.K. - por jorge lescano]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3098</link>
<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 16:06:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3098</guid>
<description><![CDATA[Como se conta uma viagem da alma, a essência, não a seqüência do sonho?
A história da literatur]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Como se conta uma viagem da alma, a essência, não a seqüência do sonho?</em></p>
<p>A história da literatura informa que F.K. teria pedido ao seu amigo M.B. – o caso foi contado por este – que queimasse seus manuscritos depois de sua morte porque eu, por meu lado, não tenho forças para destruir esses testemunhos de minha solidão. M.B. se recusa a cumprir o pedido e registra a recusa em nota à primeira edição do romance O Processo. Com louvável dedicação assume a tarefa de publicar a obra do morto.<br />
 Esta a versão tradicional, imposta pelo testamenteiro, sem dúvidas a maior autoridade no assunto, e aceita pela maioria dos leitores. Consumado o fato, as interpretações variam. Vejamos três delas.<br />
 Quis o caos de minha biblioteca, ao qual chamo Destino, que os três leitores convocados para testemunhar tenham origem argentina. A seqüência das citações é cronológica e não expressa nenhum juízo de valores.</p>
<p>No caso de Kafka, sabemos muito pouco. Sabemos apenas que ele estava muito insatisfeito com o seu próprio trabalho. É claro, quando ele disse ao seu amigo Max Brod que queria que seus manuscritos fossem queimados, como fez Virgílio, suponho que ele soubesse que seu amigo não faria isso. Se um homem quer destruir seu próprio trabalho, ele o joga no fogo, e lá se vai. Quando diz a um amigo íntimo: “Quero que todos os manuscritos sejam destruídos”, ele sabe que o amigo jamais fará isso, e o amigo sabe que ele sabe e que ele sabe que o outro sabe que ele sabe, e assim por diante.*</p>
<p>A interpretação parece plausível, até provável. Em todo caso não é absurda. Contudo, existe a notícia de que Dora Dymant chegou a queimar alguns originais e M.B. menciona quatro cadernos dos quais encontrou apenas as capas, todas as folhas haviam sido destruídas.</p>
<p>Para os sufis, todos os homens que executam uma determinada tarefa, são o mesmo homem. Transferindo-se tal concepção para a história da literatura, poder-se-ia concluir que o que importa a esta é a obra, não seu autor. Assim, não seria um despropósito afirmar que a obra supera a vontade do autor. Seguindo suas próprias leis de sobrevivência, sacrifica homens e outras circunstâncias. Neste caso, a vontade de F.K. é apenas uma digressão.<br />
 Ricardo Piglia, o segundo leitor, expressa seu parecer no romance Nome Falso:</p>
<p>A grande tentação de Max Brod não consistiu em publicar os textos ou queimá-los. No jogo dessa dupla obediência, talvez tenha pensado que a resposta do enigma estava na própria ordem: se Kafka realmente tivesse querido destruir seus manuscritos, ele mesmo os teria queimado. Tampouco é muito atrevimento pensar que outra dúvida assaltou Max Brod em algum momento. A dúvida foi (deve ter sido) a seguinte: “Ninguém – a não ser eu, a não ser Kafka, que morreu – sabe da existência  desses escritos. Então: publicá-los sob o nome de Kafka ou assiná-los e publicá-los como sendo de minha autoria? Esses textos não são de mais ninguém: não são de seu autor, que não os quis. Não são de ninguém”. A imortalidade, a fama, ou o simples papel de testamenteiro, de suave  e  humilde ajudante que dedica sua vida à maior glória de um escritor querido mas desconhecido? Oposto de Eróstrato (que fascinava Kafka), a opção de Max Brod enobrece-o mas ao mesmo tempo – por um estranho paradoxo, mais uma vez típico de Kafka – aniquilá-o  Não teria sido mais agradável (não podemos pensar que era isso o que ele desejava?), para o gênio distante e perverso de Franz Kafka, um Max Brod que usurpa a fama do defunto e que na hora de morrer revela a alguém (a outro testamenteiro serviçal, a outro Max Brod) a secreta autoria daqueles textos?*<br />
Dúvida, secura, silêncio, é assim que tudo se passará.<br />
Entre as considerações do porque da negativa, e nas notas sobre o manuscrito, diz M.B.:<br />
Entre os escritos que deixou, não se encontrou testamento. Na sua escrivaninha, no meio dos papéis, descobriu-se um bilhete escrito a tinta e já dobrado, endereçado a mim. Esse bilhete dizia:<br />
Querido Max,<br />
Este é meu último pedido: tudo o que se pode encontrar no que deixo depois de mim (ou seja, na minha biblioteca, no meu armário, na minha escrivaninha, em casa e no escritório, ou no lugar que for), tudo o que deixo em termos de cadernos, manuscritos, cartas pessoais ou não, etc., deve ser queimado sem  restrição e sem ser lido, assim como todos os escritos ou notas minhas que você possua; outras pessoas também os têm, você os reclamará a elas. Se houver cartas que não ;he queiram devolver, será preciso, pelo menos, que se comprometam a queimá-las.<br />
Seu, de todo o coração<br />
 Franz Kafka.*</p>
<p>E acrescenta outro bilhete provavelmente mais antigo e escrito a lápis, no qual F.K. é mais explícito:<br />
Só se devem conservar os seguintes títulos: Urteil, Heizer, Verwadlung, Strafkolonie, Landarzt, e a novela Hungerkünstler. (Os poucos exemplares da Betrachtung  podem ficar, não quero dar a ninguém o trabalho de destruir a edição, mas não se deve reimprimi-la.) Quando digo que só se conservem esses cinco livros e essa novela, isso não significa que eu deseje que sejam reimpressos para serem transmitidos à posteridade; pelo contrário, se desaparecerem completamente, o acontecimento terá correspondido a meus desejos. Mas como já existem, se alguém quiser guardá-los, não o impedirei.<br />
 Em compensação, todos os meus outros escritos (tudo o que pode ter saído em revistas, todos os manuscritos, todas as cartas), tudo o que você puder encontrar ou pedir de volta aos possuidores (você os conhece quase todos, trata-se principalmente de N.N., e não se esqueça sobretudo de alguns cadernos que estão em poder de N.), tudo isso deve ser queimado sem nenhum tipo de exceção, e de preferência sem ser lido (não o impeço de dar uma olhada, mas preferiria que não o fizesse; em todo caso, ninguém mais tem o direito de olhar), e peço-lhe que proceda a essa operação o mais breve possível.<br />
Franz.*<br />
 Se o pedido de F.K. é uma invenção de M.B. – é este quem garante a autenticidade das notas transcritas – o leitor  - você – terá o encargo de descobrir ou imaginar o móvel dessa atitude. Descartam-se propositadamente os interesses do mercado livreiro. Está-se num tempo –aquele onde transcorre a ação – em que o livro, a obra literária, ainda não é um produto a mercê da ditadura do consumo.<br />
Analisado do ponto de vista literário, o meu destino é muito simples. O talento que eu possuo para passar a limpo a minha vida íntima, vida que está aparentada ao sonho, fez com que todo o resto caísse no acessório. Ora, a força de que posso dispor para realizar essa narração é totalmente imprevisível. Estou, portanto, flutuante, lanço-me sem descanso para o topo da montanha, porém somente com dificuldade ali posso estar um momento. Outros estão flutuantes também, porém em regiões mais baixas e com mais energia.</p>
<p>Alberto Manguel, nosso terceiro leitor, em seu livro Uma História da Leitura, diz:</p>
<p>É famosa a história segundo a qual Kafka pediu ao amigo Max Brod que queimasse seus escritos depois de sua morte: sabidamente, Brod desobedeceu. O pedido de Kafka foi considerado um gesto autodepreciativo, o obrigatório “eu não mereço” do escritor que espera que a Fama lhe responda: “Mas como não? É claro que merece”. Talvez haja outra explicação. Como Kafka percebia que, para um leitor, cada texto precisa ser inacabado (ou abandonado, como sugeriu Paul Valéry),  que na verdade um texto pode ser lido somente porque  é inacabado, deixando assim espaço para o trabalho do leitor, talvez quisesse para seus escritos a imortalidade que gerações de leitores concederam aos volumes queimados na biblioteca de Alexandria.<br />
Como para confirmar sua tese, na página seguinte cita:<br />
Ernst Pawel, no final de sua lúcida biografia de Kafka, escrita em 1984, nota que “a literatura que trata de Kafka e sua obra compreende atualmente cerca de 15 mil títulos, na maioria das principais línguas do mundo”.*</p>
<p> As obras mais conhecidas de M.B. são: Os Falsários, drama, uma biografia de F.K., e preservar do fogo e publicar os escritos do seu biografado. Não se deseja insinuar que ele salvasse a obra apenas para ter a oportunidade de escrever sua biografia. Tampouco que lhe usurpasse o nome – F.K. era praticamente desconhecido à época de sua morte, digo: era menos conhecido que M.B.<br />
 Não seria arbitrário acreditar que este, por um salto da imaginação, decidisse criar um alter-ego, com o qual pudesse homenagear seu amigo. Nesta hipótese, os livros que conhecemos como sendo de F.K. são, na realidade, apócrifos, seu verdadeiro autor é M.B. e F.K. por favor, considere-me um sonho, seria um personagem “kafkiano” criado por seu mentor, e então K., o agrimensor, e Joseph K., poderiam ser indicações e, ao mesmo tempo, uma pueril maneira de ocultar a verdadeira identidade do seu “modelo”  não me falta nada, apenas me falto a mim mesmo.<br />
 Talvez esta interpretação necessite uma justificativa. Tratando-se de uma obra religiosa não creio que sejamos um naufrágio radical de Deus; simplesmente um dos seus aborrecimentos, um mau dia – tal é a visão de M.B. -, é conveniente que seja anônima ou de um profeta já morto.*  Esta circunstância, ignoro por que, dá mais crédito à palavra divulgada por seus apóstolos. Assim, ao ceder sua obra, M.B. satisfaz este requisito e transfere para o alter-ego seu destino atroz: a fama e a incompreensão perdoa-me porque eu não me perdôo.<br />
 À semelhança de Sócrates, alguém já havia cogitado sobre a não existência de F.K. sem, contudo, fornecer argumento. Nessa ordem de idéias, não faltou quem conjeturasse se tratar da criação de um sionista ou rabino de Praga, cidade maneirista, como se sabe, ponto de encontro da alquimia, da cabala e da lingüística.<br />
 Não pretendo estabelecer meras especulações no lugar da verdade histórica. Todavia, suspeito que estas não desagradariam aos protagonistas do caso,** a algum poeta português ou dramaturgo italiano e, com certeza, não seriam desprezadas por um mestre taoísta, para quem as borboletas podem sonhar que são homens.</p>
<p> <br />
* Quase a totalidade dos críticos insiste em diminuir a importância desta afirmação do único biógrafo que conviveu com F.K... Para eles, provavelmente, o teto da Capela Sixtina perde interesse artístico pelo fato de estar destinado à veneração dos fiéis – de alguns fiéis. E que quê dizer, então, da obra de Johann Sebastian Bach? De nossa parte, sabemos que toda obra significativa supera a intenção do artista. A obstinação destes estudiosos os torna suspeitos de – para dizer o menos –preconceito cultural. (N. do C.).</p>
<p>** Vale lembrar  “A Primeira Longa Viagem de Trem ou Richard e Samuel – Viagem Curta pelas Regiões da Europa Central”, texto inconcluso, no qual F.K. e M.B. se atribuíram a personalidade do outro. (N. do A ).</p>
<p>* Jorge Luís Borges, entrevista concedida em julho de 1966 à Paris Review, em: Os Escritores; Companhia das Letras, S.P., 1988, pág. 209 (N..A). </p>
<p>* Ricardo Piglia: Nome Falso-Homenagem a Roberto Arlt , Iluminuras; S.P, 1988, pág. 49-50 (N.A).</p>
<p> **Max Brod: Notas a O Processo; Círculo do Livro; S.P., s.d., pág. 266 (N.A).<br />
* Max Brod; op. Cit., pág. 267</p>
<p>Alberto Manguel: Uma História da Leitura; Companhia das Letras; S.P., 1997; pág. 112-113</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sem dor de cabeça no planalto]]></title>
<link>http://somaisumacoisa.wordpress.com/?p=212</link>
<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 14:59:19 +0000</pubDate>
<dc:creator>Carol Monterisi</dc:creator>
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<description><![CDATA[No meu email corporativo, dia desses:
Carolina,
Muito obrigada! A matéria ficou ótima e repercutiu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>No meu email corporativo, dia desses:</p>
<p><em>Carolina,<br />
Muito obrigada! A matéria ficou ótima e repercutiu super bem aqui em Brasília.</em></p>
<p>A matéria? <a title="Delas" href="http://delas.ig.com.br/inspiracao/noticias/2008/07/20/dor_de_cabeca_va_ao_dentista_1453172.html" target="_blank">Essa aqui, ó!</a></p>
<p>Será que a mulher do presidente finalmente se livrou da enxaqueca?</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Temporário Jornalismo - Brasília]]></title>
<link>http://rhdamadame.wordpress.com/?p=844</link>
<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 14:56:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>Madame Blanche</dc:creator>
<guid>http://rhdamadame.wordpress.com/?p=844</guid>
<description><![CDATA[Procura-se repórter de Esportes com experiência mínima de um ano em TV e afinidade com eventos es]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Procura-se repórter de Esportes com experiência mínima de um ano em TV e afinidade com eventos esportivos. O profissional deve ter disponibilidade em tempo integral para atuar <strong>entre os dias 26/07 e 02/08</strong>.</p>
<p>Os interessados devem enviar currículo com portfólio para <a href="mailto:luzsobreccd@gmail.com">luzsobreccd@gmail.com</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Viagem]]></title>
<link>http://daniluque.wordpress.com/?p=166</link>
<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 04:20:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>daniluque</dc:creator>
<guid>http://daniluque.wordpress.com/?p=166</guid>
<description><![CDATA[ 
Há quem goste das coisas em seus devidos lugares!  Pois bem, Brasília é assim. 
Tive a oportu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-family:Calibri;"><span style="font-size:18pt;line-height:115%;"><a href="http://daniluque.files.wordpress.com/2008/07/dsc_1181.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-167" src="http://daniluque.wordpress.com/files/2008/07/dsc_1181.jpg?w=300" alt="" width="300" height="198" /></a>H</span><span style="font-size:small;">á quem goste das coisas em seus devidos lugares!<span>  </span>Pois bem, Brasília é assim. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Tive a oportunidade de conhecer a Capital do Brasil nesse mês de Julho e realmente, a cidade dá um show em organização e planejamento. Começando pelas pessoas que são educadas com o próximo. Fiquei impressionada como o “sistema” funciona.<span>  </span>O pedestre apenas ergue o braço ao atravessar a rua e os carros param rapidamente. Existem pouquíssimos semáforos na cidade. O asfalto é ótimo, sem buracos, com uma qualidade superior as demais cidades do País e apresenta certo brilho. As ruas sao limpas, a sujeira fica "dentro" dos misterios. Os prédios residenciais chamados blocos, têm apenas seis andares e o espaço entre uma quadra e outra, tem um gramado enorme onde é proibida a construção. Infelizmente todo lugar tem seu defeitinho básico, essa grama em toda quadra é definitivamente banheiro de cachorro. Lá o cidadão não tem o costume de levar seu cão para passear e recolher suas necessidades com o saquinho plástico. Um gesto deprimente para muitos, porém civilizado. Fora esse detalhe a cidade oferece muita tranqüilidade. O motorista dirige sem estresse. Buzina só em extremo caso. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Visitei muitos lugares e achei maravilhoso o “Pontão”, um lugar beirando o lago Paranoá, onde existem muitos barzinhos e restaurantes... O visual é fantástico. As pessoas chegam de barcos para curtir a noite. O que mais me chamou a atenção, foi saber que o lago Paranoá que é enorme, é artificial. Cavaram aquele lago. Fiz questão de visitar o Museu do JK para entender melhor como Brasília foi construída. O Museu é muito organizado e conta toda a história. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Um costume também da população de Brasília, é freqüentar clubes de lazer. O clima é muito seco, os prédios não têm piscina, nenhum tem, apenas as mansões do lago, aliás, lá existe o “setor” das mansões, “setor” das escolas, o “setor” dos clubes...não fica nada espalhado, como disse, é organizado. Esses clubes beiram o lago e são muito preparados. Niemayer por todos os lados...Fantastico! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Em alguns momentos me senti uma estranha, com costumes muito diferentes, típica de uma paulistana. Principalmente quando usava minha máquina fotográfica e logo guardava na bolsa com medo de ser assaltada. A bolsa atrás do banco do passageiro no carro, também é coisa de paulistana. É <span> </span>inevitável a comparação quando saímos do nosso ninho. Fiquei convicta de que vivemos muito mal em São Paulo. Deu pane em nosso “sistema”. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Em especial gostaria de agradecer a ANY ANY, que patrocinou essa viagem e expressar meu carinho a todos que fizeram esses dias serem tão especiais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;"><span>                          </span><span>                                                                    </span>Dani Luque</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://daniluque.files.wordpress.com/2008/07/dsc_11881.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-175" src="http://daniluque.wordpress.com/files/2008/07/dsc_11881.jpg?w=300" alt="" width="300" height="198" /></a>    </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;">           <a href="http://daniluque.files.wordpress.com/2008/07/dsc_12091.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-176" src="http://daniluque.wordpress.com/files/2008/07/dsc_12091.jpg?w=300" alt="" width="302" height="198" /></a>           </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://daniluque.files.wordpress.com/2008/07/dsc_1224.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-177" src="http://daniluque.wordpress.com/files/2008/07/dsc_1224.jpg?w=300" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://daniluque.files.wordpress.com/2008/07/dsc_1190.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-178" src="http://daniluque.wordpress.com/files/2008/07/dsc_1190.jpg?w=300" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://daniluque.files.wordpress.com/2008/07/dsc_11621.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-180" src="http://daniluque.wordpress.com/files/2008/07/dsc_11621.jpg?w=198" alt="" width="198" height="300" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://www.anyany.com.br/NBI/per/INI/logo.gif"><img class="alignnone" src="http://www.anyany.com.br/NBI/per/INI/logo.gif" alt="" width="100" height="100" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://www.anyany.com.br">www.anyany.com.br</a>  </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://daniluque.files.wordpress.com/2008/07/dsc_1209.jpg"></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://daniluque.files.wordpress.com/2008/07/dsc_1162.jpg"></a><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">  </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[COPACABANA, NUA e CRUA! (l) conto de jb vidal]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3094</link>
<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 02:08:56 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3094</guid>
<description><![CDATA[todas rodoviárias são iguais, têm um cheiro característico. ruim. 
              a]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>todas rodoviárias são iguais, têm um cheiro característico. ruim. <br />
              a de Porto Alegre, cidade onde  morávamos, óbvio, não era diferente. <br />
              ali estava eu. eu e José Luiz, o amigo que teve a idéia de fazermos esta viagem para o Rio de Janeiro.<br />
              mês de julho. 1966. ditadura. férias. pouco dinheiro. contamos o que tínhamos. dava para curtir uma semana. ficaríamos numa pensãozinha. uma refeição por dia e sanduíches. pronto. vamos. o nosso negócio era praia e mulheres!<br />
                                      <br />
              tirando o cheiro de chulés e outros, a viagem foi normal.</p>
<p>              chegamos às quinze horas de um sábado. um tumulto. gente  pra caralho. aquele cheiro novamente. inacreditável que houvesse um mil e quinhentos quilômetros entre uma e outra.</p>
<p>              como moscas tontas andamos, de um lado para outro, a fim de obter informações, em local oficial, pois não estávamos dispostos a virar presas fáceis de qualquer má intenção.<br />
                                    <br />
              aceitamos a indicação da moça do setor turístico e fomos para uma pensão na rua do Resende em Botafogo. diária e café da manhã compatível com nossos recursos. o local estava próximo a Copacabana, nosso objetivo permanente. praia, mulheres e cervejas. talvez não nessa ordem.</p>
<p>              Madalena, a dona - também de uma bela bunda - mostrou-nos o quarto e o banheiro no final do corredor. casa antiga, confortável.<br />
              tomamos banho e rua.<br />
              dezoito horas, e lá estávamos andando na av. Atlântica. os olhos atentos buscavam todas as mulheres. lembrei da dona da pensão.<br />
              escolhemos, estrategicamente, uma das mesas do calçadão no Bar e Restaurante OK, junto à praça do Lido. sabia que ali, após as dezenove horas, muitas apareceriam para um chope, comer ou serem comidas. <br />
              "cerveja garçom!" gritou o Zé Luiz, com uma empáfia que me fez rir e pensar “afinal estamos no Rio, para o que der e vier!"<br />
              tínhamos que ganhar as minas que topassem nos levar para a casa delas, pois Madalena havia alertado para a proibição. isto dificultava as coisas.<br />
              "mais uma!" e as mesas lotaram.<br />
              <br />
              uma noite quente abraçou Copacabana e o frenesi dos carros que iam e vinham com suas luzes cintilavam nos copos e garrafas criando um ballet de sombras e brilhos destacando o anonimato das pessoas e cada qual assumia sua identidade hipnoalcoólica condição para chegar à madrugada onde só a euforia seria a companheira de Baco.<br />
             <br />
              retornava do banheiro quando uma jovem tesuda, com quem já havia trocado sorrisos, sedutoramente vestida, pega minha mão e diz "vem comigo".<br />
              levou-me para o centro da praça. encostou-me numa árvore e passou a me beijar como se estivesse apaixonada. beijava, mordia, pegava no pau, na bunda "é hoje! estou com sorte!" pensei, enquanto amassava aquelas tetinhas e chupava o pescoço com gosto de banho recente.</p>
<p>“voei para o bondinho do Pão de Açúcar, subi pelo cabo pé ante pé, olhei a praia do Flamengo, linda, com a orla iluminada naquela noite quente, virei-me e vi o Cristo Redentor, noturnamente maravilhoso, mas, achei que ele piscou para mim e fez um olhar de advertência, para não encara-lo, olhei rapidamente a baia da Guanabara, a vi como um escuro infinito e senti-me engolido por aquele buraco negro.”       <br />
                                        <br />
              "vamos voltar minha amiga pode se preocupar." eu era um fogo só.    <br />
             antes de sair da praça dei uns tapas no pau para amolecê-lo. “você é daqui?" perguntou, "não" "eu sabia!".<br />
                                         <br />
              "viu?" "vi, e a outra? vai dar pé? elas têm onde levar a gente?" "calma! eu nem falei com ela, não deu tempo, deixa eu  tomar fôlego, uns goles e vamos pra mesa delas."<br />
             <br />
               eufórico, pedi uma dose de Trigo Velho para acompanhar a cerveja, ficar mais "alto". agora, a iniciativa era minha.</p>
<p>               o Rio, na minha época de garoto, era o que se chama “sonho de consumo,” as praias maravilhosas, o relevo da cidade nada monótono. Copacabana! a sedutora de todos os boêmios, onde encontrei no “Beco das Garrafas” tom Jobim, Maísa, Antonio Maria, Vinicius, Elis ..... o Rio inspirava poetas e cantadores com perucas loiras da corte, com bailes na Ilha Fiscal ao mesmo tempo em que viam negras esbeltas subindo os morros da cidade, selvagens ainda, para onde correram os escravos recém libertos. e a paixão da nobreza era aquela negra com uma lata d’água na cabeça, feliz, cantarolando sua canção africana revestida de banzo, sonhos e desejos.<br />
                                          <br />
              "cadê as mina Rodrigo?” perguntou o Zé Luiz. olhei em direção à mesa onde deveriam estar. ninguém. procuramos. nada.<br />
              debaixo de acusações mútuas, buscamos o culpado pelo descuido.    <br />
              nenhuma conclusão. óbvio.<br />
              andamos por outros bares e boates. sem sucesso. nem elas nem outras. as que topavam queriam grana. nem pensar.<br />
              o Zé pagou o táxi e fomos dormir desenxavidos.</p>
<p>              "que domingo lindo! que sol! essa mulherada pelada! Copacabana é realmente a melhor praia do mundo!" disse o Zé tentando me animar.<br />
              sem toalha, sentado naquela areia escaldada pelo sol das treze horas, meus colhões cozinhavam. levantei e fui ao mar. nadei com raiva e voltei.<br />
              “vamos bicho! se anime! qualé? em vez de ficarmos uma semana, serão quatro dias! tá bom!”. <br />
              "que habilidade! ah! se encontro aquela puta! vai devolver todo o dinheiro e vou encher de porrada! ladra, vagabunda!”.<br />
              o resto do domingo transcorreu nesse clima, pra baixo. <br />
             <br />
              a gente sofre quando as coisas não saem como planejadas, mesmo as pequenas.<br />
                                          <br />
              fui salvo por um porre que apareceu no inicio da noite e me jogou na madrugada.<br />
                                           <br />
              segunda-feira. tarde. o Zé salta da cama e tenta me acordar.     <br />
              desiste e sai. despertei quando era noite com Madalena batendo na porta.  queria saber se estava bem ou necessitava de algo "não, obrigado". fiquei mais puto comigo, poderia ter fingido alguma coisa ela entrava e quem sabe...<br />
                                      <br />
              toquei uma punheta pensando nela.<br />
                                      <br />
              ainda estava de pau duro e com a porra na mão, quando o Zé entra no quarto aos safanões dados por dois milicos da PM. um deles, apontando o fuzil, manda que me levante com as mãos na cabeça.<br />
              como havia dias que não transava nem me masturbava e somando à excitação com a puta-ladra no Lido, era muita porra, que, ao levantar as mãos escorreu para os cabelos, rosto e peito.<br />
              “porco de merda! não gosta de mulher!?" gritou, encostando o fuzil no estômago e pressionando contra a parede. doeu muito.<br />
              o Zé, que tinha saído sem os malditos documentos, caíra numa blites para carros e pedestres na saída do túnel da av. Princesa Isabel. agora, apresentava todos, com mãos que mal podiam segurá-los. mostrei os meus. reviraram tudo. toda a casa; pois logo após os dois, entraram mais cinco. não encontraram nada que comprometesse alguém.<br />
                                      <br />
              me pegaram pra cristo. com os demais hóspedes encostados nas paredes do corredor e Madalena, histérica, dizendo que era amiga de um tal coronel do exército, me tiraram do quarto, nu e com as mãos na cabeça, obrigaram-me andar alguns passos "este porco não gosta de mulher! flagramos o filho da puta tocando punheta! ele é bichona!"<br />
             <br />
              desde que me conheço por gente, fui assim, diante de uma situação de enfrentamento primeiro surge o medo e a seguir uma raiva crescente. o cérebro, dá a impressão que incha e a mente entra num torvelinho de espiral ascendente buscando uma saída para a orgia de pensamentos, confusos, cinzas, inexatos e velozes. a razão vai pro caralho.<br />
corri pra cima do milico "bicha é tu filho da puta!" que me esperou com uma coronhada de fuzil no estômago. estatelei-me desmaiado.  <br />
              queriam me levar. por desacato e atentado ao pudor. todos argumentaram. Madalena pediu, implorou. foram-se.<br />
              <br />
              ficou claro que a dona da bela bunda interferiu, não por mim, mas para resguardar a moral da sua pensão, que certamente seria escrachada na imprensa de aluguel por abrigar subversivos políticos, razão alegada naqueles tempos para qualquer arbitrariedade. ordenou que deixasse-mos a pensão imediatamente. cumpriu-se o pensamento do bar OK "estamos no Rio para o que der e vier".</p>
<p>não esperava tanto.    </p>
<p><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/mulher-trablahndo-na-rua-image1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3095" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/mulher-trablahndo-na-rua-image1.jpg" alt="" width="335" height="316" /></a></p>
<p>sem crédito. ilustração do site.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[DAS LESMICES DITAS LÍRICAS poema de joão batista do lago]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3078</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 22:17:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3078</guid>
<description><![CDATA[



O que é a lírica feita apenas de lírica?
- um montinho de imagens que fedem estética - merda]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:#000000;font-family:&#34;"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><a href="http://joaopoetadobrasil.wordpress.com/" target="_blank"><span style="color:#000000;text-decoration:none;"><br />
</span></a></p>
<p></span></p>
<p>O que é a lírica feita apenas de lírica?<br />
- um montinho de imagens que fedem estética - merda pura! -<br />
um jeitinho bonitinho de arrumar palavras sobre palavras<br />
castelos de areia que não agüentam a primeira maré</p>
<p>essa tua poesia feito peido de gabinete<br />
que circula nos ares nobres de salões engalanados<br />
sacramenta a idiotia das modernas gentes<br />
que relincham como adestrados ginetes</p>
<p>sim! cansei das lesmices ditas líricas<br />
feitas ao sabor do cântico factótum<br />
donde te pensas deus-de-américas<br />
contudo regurgitas tão-somente teu verso póstumo</p>
<p>pede meu verso que te peça perdão<br />
- ele não canta ilusões... ele não tem qualquer paixão<br />
meu verso é víscera que transcende o amor<br />
ele é apenas verso de fome, sede e dor</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ÚLTIMO ALMOÇO poema de marilda confortin]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3074</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 22:00:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3074</guid>
<description><![CDATA[Já não há mais nada de interessante 
nas paredes desse restaurante
para consumir nosso tempo
Os ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Já não há mais nada de interessante </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">nas paredes desse restaurante</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">para consumir nosso tempo</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Os<span>  </span>velhos marujos de gesso </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">nos conhecem pelo avesso. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">A coleção de nós de corda de navio</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">orna com nossos laços, frios.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Não vai chover, </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">nem esquentar, </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">nem esfriar. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Não há mais tempo</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">nem assunto. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">O silêncio incomoda. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">O garçom some. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Quem paga a conta</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">dessa falta de fome</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">que nos consome? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 0 70.9pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"> </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Escritores e críticos analisam literatura brasileira em Parati ]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3070</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 21:23:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3070</guid>
<description><![CDATA[

Paul Auster, Martin Amis, Ian McEwan e Margaret Atwood. OK. Mas e nós? Aproveitando o dia mais br]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<h1 style="margin:auto 0;"><span style="font-size:12pt;font-family:Arial;"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">
<div class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Paul Auster, Martin Amis, Ian McEwan e Margaret Atwood. OK. Mas e nós? Aproveitando o dia mais brasileiro da Festa Literária Internacional de Parati, que terá de manhã Ferréz, pela tarde o trio Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar e Luis Fernando Verissimo e Chico Buarque na entrada da noite, a Folha ouviu escritores, críticos, agentes literários para bater uma chapa da ficção que fica aqui depois que o circo da Flip for desmontado. Qual a situação da literatura brasileira hoje?</span></div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O caçula do festival, Daniel Galera, 25, dá o mote da toada. "É impossível definir como é a ficção feita hoje no país. É tudo muito variado, cada um seguindo sua viagem." Escritor e dono da microeditora Livros do Mal, ele é inimigo ferrenho de "geração 90", "geração 00" e outras estampas que pregam nas costas dos autores que se consolidam agora.</p>
<p>A ânsia de classificar o que está sendo feito agora, opina Augusto Massi, é sinal da falta de "espírito crítico". Ator, diretor e contra-regra, ou seja, editor, ensaísta, professor e poeta, ele acredita que o problema não está na produção literária nacional nem naqueles que a imprimem. "Quando ninguém consegue se localizar montam-se logo antologias. São coletâneas feitas por gerações, gêneros ou 'os cem melhores'. Mas essas listas são pouco confiáveis." Massi acredita que faltam críticos novos, que possam organizar um mercado que dá espaço "para todo mundo: do cara dos poemas pornôs ao best-seller".</p>
<p>Raimundo Carrero, 14 romances nas costas, discorda. "Faltam é leitores." E a oferta nacional das novíssimas gerações ("nova geração sou eu também, não morri"), segundo ele, é das mais generosas possíveis. "Vivemos a perplexidade de um novo milênio. A literatura brasileira vive o que Alejo Carpentier chamou de terceiro estilo, que é a falta de um estilo", aponta o autor pernambucano.</p>
<p>Os "novíssimos" apontam a internet como multiplicadora desses modos tão variados de prosear. "A palavra é jogo. Nós jogamos os textos na internet e estamos jogando literariamente para encontrar nossos caminhos, nossos estilos", opina Emílio Fraia, 22, paulistano.</p>
<p>Essa "busca de caminhos" o trouxe às Veredas da Literatura. Esse é o nome de um projeto literário da Flip que reuniu de quinta a hoje uma trupe de 50 autores inéditos ou nos primeiros passos para uma oficina com o romancista e professor Milton Hatoum.</p>
<p>Vindos de diversas cidades, e agrupados "woodstockianamente" em uma pousada, eles terão um mês a contar de hoje para apresentarem projetos de livros. Dois deles serão brindados pela Vivo, patrocinadora do projeto, com R$ 12 mil (oito de R$ 1.500) para concluírem os escritos.</p>
<p>Os "novíssimos" farão "vanguardismos"? Não necessariamente. Antonia Pellegrino, 24, carioca, fala sem meias palavras. "Caguei para a vanguarda. Escrever uma boa história já é ótimo. Se quer fazer vanguarda, tem que ser gênio. Ficar no meio do caminho não dá", diz a neta do poeta e psicanalista Helio Pellegrino.</p>
<p>Um dos principais contistas brasileiros, Sérgio Sant'Anna, safra 1941, não pensa assim. "A palavra 'vanguarda' envelheceu, mas o desejo de inovar não. Quem prega que o que importa é só o enredo, e não a linguagem, são setores conservadores, um pouco reacionários", diz o escritor, que pôs o tema na roda ontem em encontro com Luiz Vilela.</p>
<p>Carrero, Marcelino Freire, Ivana Arruda Leite e Daniel Galera, reunidos em frente à Igreja da Matriz, rezam nessa cartilha. Em conversa com a Folha, dizem eles que a ficção brasileira tem muita gente experimentado bem a linguagem, sim. Mas não acreditam que esse (ou qualquer outro traço) possa ser amarrado nas novas escrituras brasileiras.</p>
<p>"Tentar definir o que está acontecendo é como abrir o liqüidificador enquanto a vitamina está sendo feita. Voa abacate para todo lado", diz o poeta, prosador e editor Joca Reiners Terron. Sem receio dos "abacates", Augusto Sales, editor da revista literária "Paralelos" e um dos organizadores da Veredas da Literatura, arrisca um retrato de corpo inteiro.</p>
<p>"Os autores cariocas trabalham mais a partir da memória afetiva. São pequenas obsessões, crises existenciais e o incômodo com a superficialidade do mundo contemporâneo. Já São Paulo é mais 'faca no bucho', fala mais da violência urbana. Tem influência de Rubem Fonseca e do cinema. No Sul, vejo mais elementos fantásticos. Mas, em comum, têm a concisão, o apreço pelos minicontos, o que é influência da internet."</p>
<p>Contam-se em dedos minguados os jovens autores que não trabalham com a "rede", a julgar pela amostragem da oficina Veredas. Uma delas vem do interior paulista. Fabíola Moura, 31, é o nome da "avis rara". "Sou uma exceção aqui, porque não tenho blog. Sou autora do século passado. O que acho ótimo nos novos autores é a desmistificação da escrita. A busca de comunicação direta pela net possibilita isso."</p>
<p>Outra "desmistificação" é a de que não é possível exportar nossa literatura. Lucia Riff, principal agente literária brasileira, diz que não passa nenhum mês sem negociar autores brasileiros com o exterior. "Tenho recebido pedidos de países que nunca publicaram nossa literatura. Anos atrás o desconhecimento da literatura brasileira chegava a ser constrangedor. Agora estamos na moda."</p>
<p>Mas ainda falta. Com a palavra o enviado do jornal espanhol "El País", José Andrés Rojo: "O leque da literatura brasileira é imenso, com obras de variedade surpreendente. É literatura ainda praticamente desconhecida, que precisa ser posta em órbita".</p>
<p></span>
</p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Por: CASSIANO ELEK MACHADO e<br />
LUIZ FERNANDO VIANNA</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span>
</p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/foto-arte-de-conrado-maestro-ibros_1024x768.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3071" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/foto-arte-de-conrado-maestro-ibros_1024x768.jpg" alt="" width="448" height="336" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">de <a href="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/arte-fotografica/">conrado maestro</a>. ilustração do site.<br />
</span></p>
<p> </p>
<p></span></h1>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Rio continua lindo...]]></title>
<link>http://robertocordeiro.wordpress.com/?p=576</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 17:01:28 +0000</pubDate>
<dc:creator>Roberto Cordeiro</dc:creator>
<guid>http://robertocordeiro.wordpress.com/?p=576</guid>
<description><![CDATA[É uma pena a correria. Depois de Bogotá, desembarquei nesta manhã em São Paulo. Um engarafamento]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>É uma pena a correria. Depois de Bogotá, desembarquei nesta manhã em São Paulo. Um engarafamento mostruoso no trajeto do Aeroporto de Guarulhos até o Aeroporto de Congonhas. De lá, segui num vôo para o Rio de Janeiro, a capital do meu Estado natal. E já esbarro com as pessoas pelas ruas de Laranjeiras. Encontro-me vizinho à sede do Fluminense. Devo passar por lá dentro de mais alguns minutos. E a corrida nesta cidade maravilhosa é para reencontrar alguns amigos jornalistas que deixei há 13 anos, quando embarquei num vôo solo para Brasília.</p>
<p>Neste perído curto de férias, pensei em colocar algumas coisas mais de viagens. De lugares. Porém, não sei se vou conseguir cumprir com tal objetivo. Na Colômbia, tive algumas dificuldades para incluir fotos. Somente hoje atualizei o blog colocando uma imagem da manifestação de ontem, Data Nacional da Colômbia, uma bela festa cívica.</p>
<p>Então, fica combinado assim. Os posts vão ocorrendo dentro daquilo que me for possível.</p>
<p>PS. O problema de comunicação em Bogotá foi exclusivo comigo. O sistema de internet funciona muito bem na cidade. Não existe qualquer chance de o visitante passar por dificuldades.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[EDU HOFFMANN e seus HAICAIS (ll)]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3067</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 16:00:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3067</guid>
<description><![CDATA[cirandar
 
 
     amor que prende
 
     amor que solta
 
   amor que me leva
 
   ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">cirandar</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">     amor que prende</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">     amor que solta</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">   amor que me leva</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">   e me traz de volta</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">   =</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                              noite alta</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                     criança risonha sonha   </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                          estrelas azuis</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">=</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                rã saltando</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">         enche minha boca</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                  d'água</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">=</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                       no alto galho</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                pensava estar vendo o sol</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                       era um caqui</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">               =</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">assim que se escreve</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                      procuro e não tem</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                           meu Deus</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                  sem caneta sou ninguém</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">=</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                    Clínica Freudulenta</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                          no recreio</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;">                 servia bolachas reichiadas</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:14pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[SÍNDROME POR UMA CAMA DECENTE por darlan cunha]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3064</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 15:56:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3064</guid>
<description><![CDATA[Durmo num sofá, e isso requer paciência, porque é como vestir roupa que não seja nossa, e assim ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Durmo num sofá, e isso requer paciência, porque é como vestir roupa que não seja nossa, e assim é que se está sempre sob desconforto de dores e insônia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Com os pés e a cabeça mais elevados, a gente fica como um longo "U" a noite toda, madrugada inteira, e se levanta corcunda, cheio de tristeza, empapuçado o olhar, sensação de amor mal-feito e, de verdade, nem feito nem sonhado. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Durmo num sofá, só eu e minhas (in)consequências já muito duradouras, e sei que devo dar logo um jeito definitivo nisso de viver com dores no lombo quanto nos quadris e nos ombros, carregando uma placa na testa onde se lê "Insônia".</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[SEDE DE AMAR poema de bárbara lia]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3062</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 15:50:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3062</guid>
<description><![CDATA[A mulher dobra o arco-íris 
e o esconde sob a mortalha.
Colhe a estrela matutina 
e a aninha, ainda]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="line-height:normal;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;"><span style="font-family:Times New Roman;">A mulher dobra o arco-íris </span></span><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;"><br />
<span style="font-family:Times New Roman;"><span>e o esconde sob a mortalha.</span><br />
<span>Colhe a estrela matutina </span><br />
<span>e a aninha, ainda quente,</span><br />
<span>entre as rosas mortuárias. </span><br />
<span>A pedra pequena recolhida</span><br />
<span>nos trilhos da rua do amado </span><br />
<span>coloca em seu ouvido </span><br />
<span>como concha</span><br />
<span>para levar na eternidade</span><br />
<span>o eco dos passos dele.</span><br />
<span>Ela está morrendo</span><br />
<span>e seu amor não sabe.</span><br />
<span>Bebe o último copo d'água </span><br />
<span>sabendo </span><br />
<span>que a sede mais intensa</span><br />
<span>nunca foi saciada.</span></span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A LEI DO TURISTA-CIDADÃO/ por alceu sperança]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3057</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 12:37:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3057</guid>
<description><![CDATA[Por falta de capacidade (ou vontade) de resolver os problemas reais que as pessoas vivem, nas campan]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Por falta de capacidade (ou vontade) de resolver os problemas reais que as pessoas vivem, nas campanhas eleitorais surgem, como sempre, propostas absolutamente irrelevantes, como a criação de guardas municipais a pretexto de combater a criminalidade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Outra proposta que não muda o valor do dólar ou do euro nem reduz a buraqueira que o <em>crack</em> faz nos cérebros das crianças é o debate sexo-angelical sobre se o setor de turismo deve fazer parte da Secretaria Municipal da Cultura ou da Indústria e Comércio? Partindo dessa dúvida absolutamente bestial, como diriam os “patrícios”, poderíamos embutir nessa questão outras perguntas. Por que o turismo não faz parte da Educação, já que é necessário educar toda a população para bem receber os turistas? Sem educação, como trataremos bem os gringos e seus dólares/euros?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Vamos em frente: como tratar bem os turistas se continuamos atropelando gente e fazendo roleta-paulista por aí? Não seria, então, o caso de atrelar o turismo ao Detran? Em Cascavel, um burocrata da Prefeitura tentou dar um pouco de educação (sempre ela) ao pessoal que lida com o tráfego e foi chamado de maluco por pretender transformar o serviço de táxi numa espécie de organizado Yellow Cab americano. A crítica mais habitual é “aqui não funciona”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Mas o turismo talvez pudesse ser reivindicado pela Secretaria do Planejamento, pois a cidade não está preparada nem para o convívio dos cidadãos “aborígines” – por que cargas d’água estaria para os estranjas? Claro que a Secretaria de Assuntos Comunitários também poderia reclamar o turismo, na medida em que depois de dar cidadania e civilidade aos “agentes ecológicos” (catadores de papel) pode também transformar os “flanelinhas” em “recepcionistas turísticos”, inclusive com noções de gringuês.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">A Secretaria da Saúde, por sua vez, reclamaria o turismo alegando que alguém poderia vir do exterior trazendo a gripe aviária, sendo necessário criar, talvez junto com a tal Guarda Municipal, um cadeião todo almofadado, tipo cinco estrelas, decorado com retratos de mulatas seminuas e motivos paisagísticos tropicais, para que os gringos visitantes ficassem de quarentena até que o risco de transmitir a perigosa doença fosse contornado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">A Secretaria do Meio Ambiente poderia com justa razão reivindicar o turismo para motivar a visitação aos velhos e aos novos parques temáticos de preservação das fontes e dos fundos de vale. A Secretaria das Finanças poderia baratear o custo do desassoreamento dos lagos entulhados cobrando de cada turista um pedágio adicional: um caminhonaço de lodo tirado do lago lhe valeria o título de Cidadão Honorário Sanepariano do Município. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Temos secretarias demais, departamentos demais, gastos demais com caciques e pouca esperteza na articulação entre as instâncias da administração, que deveriam jogar juntas, como as peças de uma equipe – digamos o insopitável Coxa – que pretende ganhar uma competição.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">O turismo é uma grande fonte de renda. Será nosso grande negócio se soubermos lidar com ele. Mas não é preciso criar nenhum departamento de Turismo nem na Cultura, nem na Indústria e Comércio, nem em qualquer outro lugar: basta cumprir uma pequenina lei, a exemplo das Três Leis da Robótica, de Isaac Asimov, com apenas três artigos:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">“Art. 1° – Em Curitiba, Estado do Paraná, toda pessoa residente no perímetro municipal será tratada como turista, com todos os seus direitos de cidadão, mordomias e salamaleques assegurados;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">“Art. 2° – Todo visitante e turista será, para todos os efeitos, tratado como o é todo cidadão curitibano.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">“Art. 3° – Revoguem-se as disposições (e as patetadas) em contrário.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Não sei se essa “lei”, tecnicamente, tem fundamento, pois leis não podem embutir ironias nem, talvez, uma proposta mal disfarçada de revolução final contra a opressão capitalista. Mas deveria começar a vigorar imediatamente, ao menos em nosso coração.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/imagem16.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3058" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/imagem16.jpg" alt="" width="500" height="323" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:15.3pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">sem crédito. ilustração do site.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MPB - UMA EXPRESSÃO AMBÍGUA (II) - por alberto moby]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3055</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 11:40:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Na mensagem anterior afirmei que, ao utilizarmos as expressões “música popular brasileira” e ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Na mensagem anterior afirmei que, ao utilizarmos as expressões “música popular brasileira” e “MPB” não estamos falando do mesmo objeto, pelo menos se o período a ser analisado for o do regime militar. Para ajudar a sustentar essa afirmação vou fazer aqui uma breve análise da reação de alguns compositores dos anos 70 frente ao rigor da censura nos chamados “anos duros” da ditadura – o período compreendido entre a edição do Ato Institucional n.º 5 e o término do governo do general Emílio Médici. Eram esses compositores (ou a maior parte deles) que eram chamados pelo público e por parte da mídia como MPB.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Numa entrevista de 1974, para o jornal Opinião, não publicada por ter sido proibida pela Censura, Chico Buarque de dialogava com a jornalista Ana Maria Bahiana:</span></p>
<p class="Cita" style="margin:3pt 0 3pt 2cm;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;">– Quer dizer que até o fim do ano você não pretende mexer com nada de música?</span></span></p>
<p class="Cita" style="margin:3pt 0 3pt 2cm;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;">– Ah, isso é pacífico. Tem aí umas idéias - mas não tem nada marcado - de um dia fazer um disco com músicas de outros autores, mais tarde um disco de retrospectiva, porque pra esse ano não vai dar, mesmo.[1]</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Na mesma entrevista, Chico Buarque comentava o LP <strong>Chico canta</strong>, do ano anterior, contendo as canções da peça teatral <strong>Calabar - o elogio da traição</strong>, dele e de Ruy Guerra:</span></p>
<p class="Cita" style="margin:3pt 0 3pt 2cm;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;">– Bem, eu estive pensando, no final das contas, olhando bem, não é um bom disco, entende? Quer dizer, é um disco cuidado, com arranjos lindos do Edu [Lobo], mas quem vai comprar um disco que metade das músicas não tem letra? Vale como documento, mas você não pode obrigar as pessoas, ninguém está informado de nada. Não estão informa¬das, como é que vão comprar um disco de capa toda branca? O título do disco é CHICO CANTA, quer dizer, não tem nada a ver, é a capa que não é capa. Uma porção de músicas sem letra e, aí sim, muito mais presas a uma peça que não houve. Quer dizer... todas as músicas de CALABAR se ressentem da au¬sência da peça, porque estão muito mais vinculadas a ela.[2]</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Como a peça, vetada pela Censura, o disco tivera as letras de várias das canções a ela vinculadas também censuradas. Além disso, foi proibida a capa do disco, com a palavra Calabar pichada num muro[3]. Na canção <em>Fado tropical</em> (proibida para o show <strong>Tempo e contratempo</strong>, de 1974, com Chico e o conjunto MPB-4) foi proibida a frase “além da sífilis, é claro” (uma das heranças lusitanas no sangue brasileiro, segundo o personagem Mathias), parte de um texto declamado por Ruy Guerra, co-autor também das músicas. <em>Anna de Amsterdã</em> teve toda a letra proibida, assim como <em>Vence na vida quem diz sim</em>, só sendo permitido incluí-las no disco em versão instrumental. Na canção <em>Bárbara</em>, foi cortada a palavra “duas”, que sugeria um relacionamento homossexual entre as personagens Anna de Amsterdã e Bárbara, viúva de Calabar. <em>Anna de Amsterdã</em> e <em>Bárbara</em> sofreriam os mesmos cortes, substituídos por palmas, no LP <strong>Caetano e Chico juntos e ao vivo</strong>, gravado naquele mesmo ano durante um show no Teatro Castro Alves de Salvador. Além dessas duas canções, a música <em>Partido alto</em>, interpretada por Caetano no show, só fora permitida com alterações na letra, onde foram substituídas as palavras “brasileiro” (por “batuqueiro”) e “pouca titica” (por “pobre coisica”).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A violência da Censura contra o disco <strong>Calabar</strong>, no entanto, já era o resultado do aumento sistemático da violência contra o trabalho de Chico Buarque, que continuaria ainda por muito tempo. Angustiado, Chico declararia a Ana Maria Bahiana: “... eu espero que daqui a um ano eu possa fazer música de novo, no momento me considero um ex-compositor”[4]. Mas, mais adiante, o próprio Chico relativizava essa declaração, talvez na tentativa de se proteger de um tipo de acusação que até hoje o persegue – a de que se fazia de vítima da ditadura para conquistar o público e vender:</span></p>
<p class="Cita" style="margin:3pt 0 3pt 2cm;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;">– Também não quero usar isso como álibi, é preciso saber até que ponto eu pego no violão e não tenho vontade de compor porque acho que não vale a pena, que não vai passar. Não é autocensura, é um cansaço de se empolgar com um troço bonito e perdê-lo. Então você antes disse: já não vai fazer pra não ter o desgosto. Agora também não posso dizer que é só por causa disso, primeiro porque eu não quero dar esse gosto a ninguém [...]. É uma crise. Tem umas gotinhas vindas de fora, uma pressão; mas não é só isso”.[5]</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A angústia e a tensão entre a luta contra a Censura e uma (im)provável falta de criatividade acabam levando Chico Buarque a concluir: “Não dá pra fazer show de capa branca, com metade das músicas sem cantar”[6]. Além do mais, acrescenta: “é muito chato isso das pessoas te pararem na rua e perguntarem pela censura, e não pelo meu trabalho. Como artista eu quero ser julgado pelo meu trabalho. Foi um ano perdido”[7].</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O vigor com que a Censura se abateu sobre Chico Buarque não seria “privilégio” dele, nem tampouco novidade em 1973. Só para citar mais alguns exemplos, o LP <strong>Paulinho da Viola</strong>, de 1971, teve as canções <em>Chico Britto</em>, de Wilson Batista e de Afonso Teixeira (música composta em 1949), e <em>Um barato, meu sapato</em>, de Paulinho da Viola e Milton Nascimento, proibidas[8], por destacarem o “clima marginal do samba”[9]. Em 1972, Jards Macalé teria que reescrever sete vezes a letra de <em>Revendo amigos</em> (LP <strong>Movimento dos barcos</strong>). Em 1973, Raul Seixas teria 18 composições vetadas pela Censura, Luís Melodia, em seu disco de estréia, teve várias palavras podadas de suas canções, além de várias músicas vetadas na íntegra.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Mas o disco que faria par com <strong>Calabar</strong>, em 1973, seria o álbum (um LP e um compacto simples) <strong>Milagre dos peixes</strong>, de Milton Nascimento. Apesar de ter contado com participações especiais, como Radamés Gnatalli como arranjador, Clementina de Jesus e Gonzaguinha, entre outros, a Censura não se intimidaria, vetando as canções <em>Hoje é dia d'El Rey</em>, <em>Cadê</em> e <em>Escravos de Jó</em>, impedindo a participação no LP de Dorival Caymmi, que deveria cantar uma das faixas mutiladas. Além disso, outras canções teriam as letras parcialmente proibidas, como é o caso de <em>Diálogo entre pai e filho</em>, cuja única frase permitida dizia: “Meu filho”!. Conformado, Milton Nascimento decidiu gravar apenas as melodias das canções vetadas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ainda naquele ano, a revista <strong>Veja</strong>[10] revelava que o LP <strong>Luiz Gonzaga Jr.</strong>, contendo dez faixas, era o sobrevivente dos cortes de quinze músicas pela Censura. Isso sem contar que a canção <em>Comportamento geral</em>, gravada nesse LP, fora proibida de ser executada nos meios de comunicação.<br />
A onda de repressão à música popular dos primeiros anos da década de 1970 faria o crítico musical Tárik de Souza mostrar-se “surpreso”, em meados de 1974, com a “calmaria excessiva e perigosa, sujeita a discos técnicos e performances de discreta estética comportada”[11] que se abatia sobre o mercado musical brasileiro. Ironicamente, Tárik de Souza concluía seu raciocínio, refazendo-se do “susto”:</span>
</p>
<p class="Cita" style="margin:3pt 0 3pt 2cm;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;">Evidentemente que quem quisesse acompanhar ainda com maior profundidade as oscilações da linha de frente da música brasileira deveria munir-se de um sismógrafo resistente. Muitos fatores contribuem para os efeitos de luzes e sombras que tingem os rostos dos espectadores. A estes muitas vezes será preciso ainda informar que tudo pode acontecer pelos costumeiros - e sempre insondáveis - motivos de ordem técnica. Perdão, leitores.[12]</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Na próxima mensagem vou tentar comentar as formas que a MPB encontrou para resistir ao rigor da Censura.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
PS: Este post é uma versão adaptada das p. 146-150 do meu livro <strong>Sinal Fechado: a música popular sob censura (1937-45/1969-78</strong>, publicado no ano passado pela editora Apicuri, do Rio de Janeiro (www.apicuri.com.br).</p>
<p>[1] BAHIANA, Ana Maria. Nada será como antes: MPB nos anos 70. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 36. Sobre os discos de que fala Chico Buarque, o primeiro deles, com músicas de outros autores, foi realmente produzido: trata-se do LP Sinal Fechado (Philips, 6349122), de 1974, onde apenas a canção Acorda, amor, assinada com os pseudônimos de Leonel Paiva e Julinho de Adelaide, inventados por Chico, era dele. Quanto ao disco de retrospectiva de sua carreira, não chegou a ser realizado.<br />
[2] Idem, p. 37.</span>
</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[3] A capa foi proibida “pois os censores enxergaram um significado subversivo. Chico reagiu lançando o mesmo disco com capa totalmente branca e sem título. O seu Álbum branco, digamos assim. Manteve, entretanto, a ficha técnica da capa anterior, com os nomes dos fotógrafos (eram três), evidenciando, assim, mais uma vez, a ação da Censura. O curioso é que esta capa também acabou sendo recolhida, mas não por ordem da repressão. A decisão foi da própria gravadora. É que o disco simplesmente não vendeu, e o departamento comercial da Philips identificou na capa branca a causa do fracasso comercial. Semanas depois, o LP foi relançado com nova capa, mais simples, mais normal, apenas com uma foto do artista, de perfil, com o título Chico canta.” (MARTINS, Lula Branco. “Chico Buarque e a imagem do artista: como se deu a construção de um símbolo nacional”. JB online, 13/JUN/2004. Disponível em <a href="http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernob/2004/06/12/jorcab20040612013.html.%20Acesso%20em%2013/04/2008">http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernob/2004/06/12/jorcab20040612013.html. Acesso em 13/04/2008</a>.)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[4] BAHIANA, Ana Maria. Nada será como antes..., cit., p. 37.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[5] Idem, p. 39.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[6] Ibidem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[7] Idem, p. 40.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[8] <em>Chico Britto</em> só seria regravada em 1979, no LP <strong>Zumbido</strong>, e <em>Um barato, meu sapato</em>, provavelmente modificada, com novo nome, <em>Meu novo sapat</em>o, e sem a parceria com Milton Nascimento, sairia no LP <strong>Memórias cantando</strong>, de 1976.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[9] “Um caso à parte”. Veja, 10/11/1971, p. 90.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[10] “Bem inspirado”. Veja, 25/07/1973, p. 98.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[11] SOUZA, Tárik de. “Música popular: interferências empresariais e outras”. Opinião, (78):23, 06/05/1974.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[12] Ibidem.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Remix: Club Silêncio - Vem Baiana (Bezzi &amp; Fábio Pop Edit)]]></title>
<link>http://djbezzi.wordpress.com/?p=155</link>
<pubDate>Mon, 21 Jul 2008 05:27:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>djbezzi</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Já tinha falado sobre o Club Silêncio no blog. Para mim, eles são uma das melhores bandas nacion]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a title="ImageShack - Image And Video Hosting" href="http://imageshack.us/" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://img525.imageshack.us/img525/149/bannersilenciowx7.jpg" border="0" alt="" width="403" height="104" /></a></p>
<p style="text-align:left;">Já tinha falado sobre o <a href="http://www.myspace.com/clubsilenciomusic">Club Silêncio </a>no blog. Para mim, eles são uma das melhores bandas nacionais que estão na ativa.</p>
<p style="text-align:left;">Por um acaso do destino, me tornei amigo da banda e um dos integrantes (Fábio Pop) também atua como Dj e produtor. O Desafiei a fazer um<em> remix </em>a quatro mãos comigo e o resultado está <a href="http://fiberonline.uol.com.br/bezzi">aqui</a>.</p>
<p style="text-align:left;">Disponibilizei também nos meus perfis do <a href="http://www.myspace.com/djbezzi">Myspace </a>e <a href="http://www.virb.com/bezzi">Virb</a>.</p>
<p style="text-align:left;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/ZBfTn1B_74I'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/ZBfTn1B_74I&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:left;">Club Silêncio - Vem Baiana (Vídeo feito por um fã)</p>
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:left;"><strong>BEZZI</strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ESTUDANTES DE BRASÍLIA NO STF]]></title>
<link>http://heliopaz.wordpress.com/2008/07/20/estudantes-de-brasilia-no-stf/</link>
<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 15:55:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>Hélio Sassen Paz</dc:creator>
<guid>http://heliopaz.wordpress.com/2008/07/20/estudantes-de-brasilia-no-stf/</guid>
<description><![CDATA[
SEN-SA-CIO-NAL!!!
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a target="_blank" href="http://viomundo.com.br/"><img src="http://www.viomundo.com.br/img/gallery/1/gilmar1.jpg" /></a></p>
<p>SEN-SA-CIO-NAL!!!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[EM NOME DO PAI &amp; DA PALAVRA - de jairo pereira]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3049</link>
<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 12:40:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=3049</guid>
<description><![CDATA[ 
Em nome do pai, do filho e do espíritho santo da poesia. A palavra tem esse dom, de concentrar e]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:x-small;font-family:Times New Roman;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:11pt;font-family:&#34;">E</span></em><span style="font-size:11pt;font-family:&#34;">m nome do pai, do filho e do espíritho santo da poesia. A palavra tem esse dom, de concentrar energias, q. nossos sentidos não conseguem identificar. O signo e suas sadias espirithações, como já disse na apresentação do meu livro-poema <em>Espirith Opéia.</em> A gente vai e volta, na mesma questão: a palavra será capaz de manter-se no tempo, como signo majoritário à poesia do futuro!? Não tenho dúvidas q. sim. Partícula mínima das linguagens escritas, a palavra, oferece a possibilidade do processo de conhecimento. Ciências, philosophias, éticas e estéticas, tornam-se acessíveis pelas linguagens escritas. Assim, o conhecer se dá diretamente pelo manuseio da língua e da palavra q. a compõe. Ninguém vai muito longe, guiando-se só por signos visuais, símbolos ou ideogramas, no processo do <em>cognocer.</em> Ainda mais por ícones expressos numa tela de computador. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:&#34;">Instrumento criado por Deus, a palavra, não poderia ser diferente, nas suas qualidades numinosas, ou seja: ser simples, direta, como água de fonte, e ao mesmo tempo ensejando complexas variações, na formação das mais diversas linguagens. E, não só isso: o exercício pleno e libertário das linguagens (compostas de palavras) opera o milagre da comunicação, numa primeira instância. Em segunda e terceira instância, nas mãos do artista, (poetas e escritores) A PALAVRA, alcança o estágio de elevação espirithual, também realizando outro grande milagre: a criação livre de author. A obra e seu lugar no espaço-tempo. A voz da linguagem, é nua e pura, em estado bruto. E, a linguagem da voz, após a intelecção (quando a linguagem não tem como escopo principal a comunicação direta) se traduz, na criação poético-ficcional. Entendo assim, <em>sponte própria,</em> nos meus parcos conhecimentos lingüísticos. Na realidade meus conhecimentos lingüísticos, são mais de poeta, manejador diuturno dos signos. A intimidade com a palavra é q. nos dá a compreensão do fenômeno e grandeza, dessa alma (palavra) aparentemente simples e impotente. Muitos governos ruíram, em face da palavra. O Poder da palavra, é maior de q. muitos poderes instituídos pelos homens. Não à toa, alguém contemplava reverencialmente, as inscrições nas pedras, no deserto. A palavra corroendo a pedra do tempo, e sempre mantida nas intempéries. Muitas vozes romperam fronteiras, trazendo na palavra novas ideologias. A palavra registra a vida, costumes, atos, fatos, idéias, projetos, realizações. A sã convicção do sujeito no dizer a palavra, vale mais q. muitos livros escritos, repousados nas grandes bibliotecas, como mortos em sarcófagos subterrâneos. Cristo, é exemplo paradigmático, quando se trata da força da palavra nos tempos. Gosto daquela belíssima sentença, ou duas conjugadas, na forma como aparecem: <em>Eu vos deixo a paz. Eu lhes dou a minha paz. </em>É de se perguntar aos sábios lingüistas, onde está, nos ditos acima, a voz da linguagem e a linguagem da voz?? Creio, comporem as presentes sentenças, conjugadas como estão, uma só linguagem e uma só voz. Portanto una, a linguagem da voz e a voz da linguagem. Prescindível, qualquer intelecção humana à emissão sígnica, acima expressa, o que retira de antemão a linguagem da voz. O que isso tudo tem a ver com poesia?! Pense o q. quiser pensar. Tem tudo e nada ao mesmo tempo. Primeiro porque a poesia tem o poder de instituir-se da mesma forma q. a palavra nathuralmente, num processo de simples fala, quando se trata de poetas sem a dita cultura civilizada. Segundo porque os deuses excêntricos da criação, com suas extravagâncias, de conduta, mentem muito e em prestidigitações inumeráveis, enganam o sujeito/criador. A relação sujeito x objeto x prismas de análise, tríade, originária de toda arte, fulgurações no céu, acidentes da língua, fala e consciência, são determinantes do produto final: a obra. O que era simples palavra no início, na abordagem primária dos objetos, torna-se com ação e esforço ou acidente dos sentidos, composto singular, complexo nos meios e fins, ao ponto de o emissor dos signos, esquecer q. aquilo tudo fora constituido pela simples palavra, q. encanta e ilumina. Não gosto dessa coisa, de ficar procurando símbolos arbitrários no computador, (embora já tenha feito isso) ou nos diversos outros meios eletrônicos, a fim de compor um poema, um conto, uma criação livre de author. Todos os conflitos étnicos, fatos philosóphicos, antropológicos, místicos e religiosos, estão contidos na simples palavra. O <em>bom dia</em> (esse simples cumprimento) diz mais q. muitas teses de lingüistas eméritos da USP e outras grandes universidades brasileiras. O q. interessa ao poeta é o q. interessa à poesia: milagre de luz na criação q. comunica e expande o signo/palavra. É muita tese, pra pouco resultado prático. O q. buscam eles, os “gênios” da lingüística?! Só deus sabe. E, o acúmulo inócuo de teses é imensurável. Nós os poetas, podemos prescindir da tese e atingir o nirvana com a simples palavra q. ilumina. Comer o pão pela manhã e servir-se da palavra no todo dia. A palavra como ente sagrado, inesgotável na sua tridimensionalidade de significação, combinações infinitas, etc. Um mundo, dois mundos, três mundos, multimundos se erigem com a simples palavra q. ilumina. Uma benção, indescritível esse poder, q. não é conquistado à força, não é vendido, nem leiloado pelos trogloditas tecnocratas. Q. a força de minhas palavras na esteira crística, pastoreiem belas imagens, a fim de compor minha poesia. Uma poesia de força de investimento nos atos, fatos, pensamentos. Os governos detém a palavra como instrumento de PODER, falseando-a, em verdade, ética e impondo estéticas de horror. A própria palavra nos parlamentos, vinga-se dos ordinários. Anjos poliglotas vigiam, o bom uso da língua e os desideratos singelos da santa palavra. Não se iluda. Tua sanha de poder e asco, nada pode contra os atributos do signo verbal. O poeta, procura extrair da palavra o seu poder sacrossanto, criônico, e de revelação da vida. And